Ministro da Saúde Padilha desiste de ir à ONU por restrições dos EUA
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou na sexta-feira (18.set.2025) que não participará da Assembleia Geral da ONU em Nova York, marcada para 23 de setembro.
Os Estados Unidos concederam a ele um visto diplomático com limitações que restringem sua circulação a apenas alguns quarteirões de Nova York. Segundo o governo norte-americano, essa condição permite sua presença somente no evento da ONU.
Padilha também foi impedido de participar do encontro da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em Washington, previsto para o fim de setembro, e ainda avalia sua possível participação nesse evento.
Em carta dirigida aos ministros da Saúde dos países membros da OPAS, o ministro classificou a decisão americana como “arbitrária e autoritária”, afirmando que tal medida contraria o direito internacional e dificulta a cooperação entre países soberanos.
Ele acrescentou que as restrições comprometem negociações com laboratórios internacionais e instituições de pesquisa interessadas em investir no Brasil, acordos considerados por ele essenciais para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS).
“O efeito imediato das restrições impostas é impedir a plena participação do Brasil em órgãos das Nações Unidas sediados nos Estados Unidos”, escreveu Padilha em sua carta.
O ministro informou que deverá priorizar compromissos no Congresso nacional, especialmente a votação da medida provisória que instituiu o programa Agora Tem Especialistas, cujo texto precisa ser aprovado pelo Senado até 26 de setembro para não perder validade.
Na quarta-feira (17.set.2025), ao falar com jornalistas, Padilha demonstrou despreocupação sobre a possibilidade de não obter o visto, ironizando a situação e citando a música “Tô Nem Aí”, da cantora Luka.
O Itamaraty solicitou um novo visto para Padilha em agosto, após os EUA revogarem as permissões da esposa e da filha do ministro. O visto foi concedido em setembro, pouco antes da chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Nova York.
Neste mês, a embaixada americana também liberou vistos para os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Justiça, Ricardo Lewandowski, sendo que Lewandowski acompanhará Lula no evento da ONU no dia 20 de setembro.
Fontes governamentais afirmam que a ausência de Padilha pode enfraquecer a participação do Brasil em debates globais de saúde, mas ressaltam que ele pretende focar nas negociações internas relacionadas ao SUS.
Além disso, outros integrantes do governo brasileiro tiveram seus vistos dos EUA revogados, entre eles Mozart Julio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais do ministério e atual coordenador-geral para a COP30.
Créditos: Poder360