Três vírus que podem desencadear crises de saúde em 2026

Em 2026, o avanço do aquecimento global, o aumento da mobilidade humana e o crescimento populacional criam um ambiente propício para a rápida evolução e propagação de vírus. Entre os vírus que preocupam especialistas estão o Oropouche, a gripe aviária H5N1 e o mpox.
O vírus Oropouche, transmitido por pequenos mosquitos, concentra a maioria dos casos nas Américas, especialmente no Brasil, onde houve registros de mortes. Descoberto na década de 1950 em Trinidad e Tobago, o Oropouche era restrito à região amazônica, mas vem se expandindo pela América do Sul, Central e Caribe desde os anos 2000. Em 2023, teve um ressurgimento mais intenso e, em 2024, o Brasil documentou mortes associadas, com cinco casos fatais confirmados em quatro estados, inclusive Rio de Janeiro e Espírito Santo. Casos ligados a viajantes também foram detectados na Europa. Além disso, transmissões verticais de mãe para filho estão sendo investigadas por possível relação com microcefalia e óbitos fetais. O inseto transmissor está adaptado a várias regiões do continente e não há vacina ou tratamento específico para o vírus. Em janeiro, a OMS propôs acelerar o desenvolvimento de medidas de prevenção para o Oropouche.
A gripe aviária H5N1 deixou de afetar apenas aves em 2024, com infecções em vacas leiteiras nos EUA, preocupando especialistas devido ao salto entre espécies e múltiplos casos em rebanhos. Estudos indicam diversas transmissões de vacas para humanos, muitas assintomáticas. No Brasil, em 2025, foi confirmada gripe aviária em uma granja comercial. O receio é que o vírus adquira capacidade de transmissão eficiente entre pessoas, podendo gerar nova pandemia. Até o momento, os CDCs norte-americanos registraram 71 casos humanos e duas mortes desde 2024, sem transmissão comunitária sustentada. Vacinas específicas estão em desenvolvimento, pois as existentes talvez não protejam contra a cepa H5N1. O Instituto Butantan realiza estudos pré-clínicos com uma nova vacina.
O mpox persiste em circulação com duas variantes, incluindo uma mais grave na África Central. Desde 2024, aumentaram as infecções pelo clado I, considerado mais severo. Os EUA reportaram casos recentes sem vínculo com viagens à África. Embora haja vacina, não há tratamento específico, com especialistas alertando para possíveis desafios sanitários na evolução do vírus em 2026.
Outros vírus também geram preocupações em 2026. O chikungunya causou mais de 445 mil casos suspeitos e confirmados em 2025, com 155 mortes até setembro, sendo 129 mil casos e 121 mortes no Brasil conforme dados do Ministério da Saúde. O vírus Nipah voltou a ser monitorado após surto na Índia, mas ainda não apresenta indicações de causar pandemia e nenhum caso foi registrado no Brasil. O sarampo ressurgiu em vários países devido à queda na vacinação, ameaçando a erradicação em locais como os EUA. Além disso, há alertas sobre o possível aumento do HIV caso cortes em programas de cooperação em saúde continuem.
Créditos: g1